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Reparo da transmissão automática AL4 do Citroën Xsara Picasso

Acompanharemos nesta matéria os detalhes da desmontagem deste componente e ainda o processo de recuperação do seu conversor de torque

Fernando Naccari e Paulo Handa
08 de outubro de 2013

O câmbio AL4 é um modelo bem comum nas aplicações de linha francesa da PSA (Peugeot-Citroën) e a presença deste nas oficinas de reparação tem se tornado cada vez mais frequente. Para auxiliar os reparadores, mostraremos o passo a passo de desmontagem com o auxílio do reparador Antônio Ariza Castilho da oficina Akikar de São Bernardo do Campo-SP.

Foto 1Foto 2

O referido câmbio estava em um Citroën Xsara Picasso 2007 que estava com 74500km rodados. O motivo da manutenção se deu devido à patinação e ineficiência no engate das marchas, que segundo o reparador Castilho, é um defeito recorrente.

DESMONTAGEM
Para realizar o processo, siga os procedimentos conforme os descritos abaixo:

1) Primeiramente, retire o chicote do seletor de engate. Com este, devemos ter cuidado na remoção dos conectores das eletroválvulas,  pois podem ocorrer danos aos mesmos se forem removidos descuidadamente devido a deterioração destes provocadas pelas  ações do tempo ao longo do uso; (Foto 1)

2) Em seguida, remova a chave seletora de marchas junto com o sensor de rotação e, em seguida, retire também os sensores ali presentes;

3) Nesta etapa, remova o cárter do câmbio. Em seguida, remova o chicote das eletroválvulas que fica do lado externo do câmbio; (Foto 2)

4) Após a remoção deste chicote (Foto 3), deve-se retirar o corpo de válvulas (Foto 3A)e, consequentemente, o filtro de óleo (Foto 3B).

Foto 3, 3A e 3B

IMPORTANTE: Com relação ao corpo de válvulas, deve-se sempre se atentar quanto à posição das válvulas e se estas possuem desgaste acentuado. Já os solenoides, devemos testá-los quanto a atuação, eficiência de pressão e vazão. Outra etapa importante é efetuar a limpeza interna onde, para tal, deve-se desmontar o componente.

5) Agora, vire o câmbio e remova os sete parafusos da tampa traseira; (Fotos 4 e 4A)

Foto 4 e 4A
Foto 5
6) Depois de realizada, retire o eixo da turbina (entrada de força). Tome cuidado, pois entre eles há uma arruela de encosto e esta não deve ser desconsiderada. Neste eixo também encontramos o conjunto do cubo da 2ª marcha com o seus devidos pacotes de embreagens. Também estão lá a engrenagem solar junto com o seu cubo ligado à caixa de satélites e, por último, temos o cubo com os pacotes de embreagem da 3ª marcha; (Foto 5)

7) Vire novamente a caixa, mas agora retire os parafusos da caixa seca onde fica o conversor de torque. Retire-o e separe as caixas; (Foto 6 e 6A)

Foto 6 e 6A

8) Remova a junta, a bomba de óleo e seu respectivo filtro; (Foto 7 e 7A)

Foto 7 e 7A

9) Retire o diferencial e a engrenagem de saída. Nesta se encontra a engrenagem que efetua a função “Park”. (Foto 8)

Foto 8 e 9

LEMBRE-SE: No eixo de entrada é onde se encontram a maioria dos pacotes de embreagem e engrenagens de marchas à frente. Nesta devemos efetuar a desmontagem com muito critério e atenção. Durante todo o processo descrito, a bancada deve estar sendo usada especificamente para a desmontagem da transmissão automática, pois ao realizarmos o processo em uma bancada comum, poderão ocorrer extravios de componentes e isso acarretará no atraso do término do serviço.(Foto 9)

DEFEITOS RECORRENTES
O câmbio AL4 costuma apresentar falhas características. Dentre eles, o reparador Castilho listou:

• Cinta da embreagem 1 e 2 quebram com facilidade; (Fotos 10 e 10A)

Foto 10 e 10A

• Cubo da embreagem 1 e 2  se desgasta devido à quebra da cinta; (Foto 11)

• Eixo de entrada apresenta desgaste provocando fuga de pressão. (Foto 12)

Foto 11 e 12
CONVERSOR DE TORQUE
Este é um componente muito importante para o correto funcionamento do conjunto, porém, não é possível avalia-lo externamente. Para um serviço de transmissões desta magnitude, devemos sempre não correr riscos e, portanto, é prudente sempre revisá-lo.

Para sabermos mais detalhes quanto a estes, conversamos com Marcelo Pinheiro de Souza, Rogério Torres (Foto 13) e Milton Burato Jr., todos reparadores da MAF Conversores de Torque e que atua neste segmento desde 1997.

O reparador Milton nos acompanhou nesta etapa relatando os passos para efetuar o reparo e revisão interna do conversor de torque do câmbio AL4.

Foto 13 e 14

Basicamente, podemos dizer que o conversor de torque é composto de seis itens (Foto 14). São eles:

• Bobina impulsora;

• Estator e turbina;

• Cubo impulsor da bomba;

• Sistema roda livre do estator;

• Sistema lock up.

Dessa forma, acompanhe os procedimentos:

1) Inicie efetuando uma marca direcionando a posição dos parafusos de fixação do conversor, pois isso contribui muito no momento do balanceamento (Foto 15). Em seguida, faça um corte no torno abrindo o conversor ao meio (Fotos 15A e 15B);

Foto 15, 15A e 15B

2) Agora, observe se internamente ao conversor há indícios de peças soltas que possam causar danos na turbina. Inspecione todos os componentes internos a este. Há conversores que de tão danificados não permitem mais recuperação; (Foto 16)

3) Aplique um banho químico (Foto 17) nas peças para que estas fiquem livres da carbonização e demais resíduos de lubrificantes e/ou impurezas;

Foto 16 e 17

4) Substitua as molas do sistema de Lock up (Fotos 18 e 18A). A troca destas é imprescindível, inclusive dos rebites que deverão ser colocados em equipamento específico, permitindo assim que estas tenham fixação adequada e sem ruídos. É importante lembrar que se não houver a substituição dos componentes da maneira correta, quando o sistema Lock up atuar, seu funcionamento ficará comprometido;

Foto 18 e 18A

5) Substitua a embreagem (Foto 19) do sistema Lock up e fixe-a (Foto 19A) através de adesivo especial para tal função.

Foto 19 e 19A
ALGUNS DETALHES
Quando as condições do veículo são apropriadas (velocidade, temperatura da transmissão, marcha selecionada, entre outras) para a aplicação do Lock up ( ou TCC – Torque Converter Clutch), o fluido circulante dentro do conversor sofre uma inversão em seu fluxo e pressiona a parte traseira da placa, que por sua vez é movida contra a carcaça do conversor, criando uma ligação mecânica entre o motor e a transmissão, como se os dois indicados anteriormente fossem empurrados um contra o outro.

Este acoplamento mecânico oferece uma transferência de torque mais eficiente porque elimina o pequeno deslizamento gerado por um acoplamento fluido.

Adicionalmente, o acoplamento mecânico contribui para a diminuição do calor dentro do conversor, que normalmente acontece em um acoplamento fluido.

Continuando...

6) Verifique os demais componentes como a turbina de entrada e saída, rolamentos e confira a pressão das molas; (Fotos 20, 20A)

Foto 20 e 20A

7) Faça demarcações nos pontos de solta e posicione o conversor recuperado (se for o caso) no torno assentado em suas faces para que no momento do fechamento do conversor ele fique corretamente alinhado quanto à altura entre as duas partes e a centralização do cubo central; (Foto 21)

8) Solde ambas as partes. (Foto 22)

Foto 21 e 22

Como podemos notar, o conversor de torque é um componente puramente mecânico/hidráulico, portanto, não depende diretamente de um sistema eletrônico para funcionar. Por este motivo, no momento de uma intervenção na transmissão é prudente se efetuar uma revisão no conversor de torque, pois ele é o coração da transmissão.

Foto 3

Complementando as informações, na transmissão AL4 encontramos três tipos de conversores, dependendo do ano e motorização do veículo, os de final de numeração 239 (que são os mais utilizados), os de final 218 e 963. (Foto 23)

Sabemos que este tipo de reparo deve ser sempre efetuado por profissionais capacitados, porém, também é importante que todos saibam como o reparo ocorre para que tenhamos a capacidade de avaliar a qualidade do serviço que geralmente terceirizamos.

 

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